Funilaria lança financiamento coletivo com MTST



É com muita alegria que a Funilaria lança o financiamento coletivo para edição e publicação de Pé no Barro, primeiro livro de poesia de Lene Souza, que ganhou no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto o nome de Poeta.

SOBRE O LIVRO

O livro reúne uma produção que a autora desenvolveu ao longo de quase dez anos. Os poemas recolhidos no livro tratam da experiência da pobreza, do desamparo daqueles que vivem à margem, da violência a que estão sujeitos em um mundo onde o lucro fala mais alto do que a dignidade humana. Mas, seus versos falam sobretudo do poder transformador que a luta coletiva pode criar.


E é também na coletividade que esses poemas ganharam corpo, pois antes de serem escritos em papel, eles circularam primeiro nas ocupações, nos saraus e reuniões do MTST, onde foram lidos pelos companheiros que veem, na poesia de Lene, um pouco da vida e da história de cada um.

A produção desse livro é fruto de um trabalho coletivo que foi organizado em diferentes frentes, sempre com a participação ativa da Poeta em cada passo. Um grupo se reuniu para organizar, em papel, os poemas que foram produzidos por Lene Souza ao longo de tantos anos, mas que nem sempre eram anotados, mas circulavam no boca a boca do movimento. Por isso, o trabalho de escrita foi também um trabalho de conversa com companheiros e resgate de uma memória coletiva.

A POETA

Nascida em Serra do Aporá- BA, Lene Souza foi criada por sua avó paterna até os 07 anos, em Itamira, vilarejo de sua infância. Entre cajueiros e jaqueiras, brincava com as palavras e as criações de sua avó. Chegou em Sampa e foi morar na zona sul, sua adolescência foi nas quebradas do Capão Redondo, Jardim Angela, Valo Velho, São Bento e Guarujá; familiares se dividiam nesses bairros. Concluiu o ensino fundamental e médio em escolas públicas, se arriscou em cursos superiores, fazendo 3 anos de Ciências Sociais e 2 anos de Letras, mas a maternidade solo precisou de maior dedicação. O trabalho ficou escasso, a geladeira também, faltou dinheiro pro aluguel muitas vezes. Lene tem três filhos, é sem teto, gosta do sol e do cheiro de alecrim.


O QUE DIZEM DE PÉ NO BARRO


Além de presença constante e ativa nas ocupações e formações, Marilene passou a expressar em verso e prosa a luta de todo aquele povo. Tornou-se a nossa Poeta. Sua poesia, que aparece agora escrita e publicada nesse livro, foi primeiro cantada, declamada muitas vezes. Circulou no boca a boca, aparecendo em nossas reuniões e encontros, nos saraus, nas cozinhas coletivas. Aqueles que ouviam a poesia se identificavam, anotavam e declamavam depois em outros espaços, claro que cada um ao seu modo, mudando coisa aqui outra lá, com cada um dando seu próprio tom e uma dimensão coletiva à obra. É uma obra coletiva de milhares de mulheres sem-teto, que fizeram da luta profissão de fé e anúncio de esperança. Nossa querida Poeta deu voz, em lindos versos, a todas elas. (Guilherme Boulos)

"Não escolhemos ser poetas. É a poesia que nos toma.” E ainda bem que poesia nossa mãe solo Faz de cada coração poeta uma filha, Faz da escrita moradia, conquista! Ocupação! Sua poesia é invasão de mente De reflexão, de luta! E que a poesia sempre encante a sua labuta Por justiça, por igualdade, e que privilégio A verdade de poder ser parte! “A fome é silenciosa. quando embrulha nossa cara, fecha as cores do mundo.” Toda poeta é arco íris em cidade cinza E a Lene, é a própria poesia Que gera a luz das palavras, E esse livro a partir de então É uma de suas casas. Leia, sem moderação! (Mariana Felix)