NEIGHBOURS

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R$ 65,00 Preço normal
R$ 52,00Preço promocional

Livro em pré-venda. Previsão de entrega para julho/2022.

 

Autora: Lília Momplé
Ilustrações: Òkun
Projeto gráfico e diagramação: Bárbara Batista
Ano: 2022
Páginas: 198
Dimensões: 14x20cm

Por Maria Teresa Salgado, autora do posfácio:

 

Com a obra Neighbours, publicada pela primeira vez em 1995, Lilia Momplé se volta em primeiro lugar para a história recente de Moçambique, levando-nos a refletir sobre a violência de um país que esteve em guerra durante muitos anos (1975 a 1994).

Na década de 1980, o país passou por uma constante agressão por parte do regime do apartheid da África do Sul, quando se promoviam frequentes ataques assassinos contra os cidadãos comuns moçambicanos, com o intuito de espalhar o temor e desestabilizar o governo da Frelimo. Um desses episódios, ocorrido em Maputo em maio de 1985, inspirou a escritora a escrever a obra.

A violência palpável do cotidiano, vivida em países pobres ameaçados por poderosos; a violência do apartheid sul-africano, capaz de extrapolar suas fronteiras para atingir países vizinhos. Que situações podem ser consideradas como violência? Existe grande diferença entre as suas várias formas? De que modo elas estão relacionadas? Há maneiras mais legítimas de se reagir à violência?

A muitas conclusões, mas também a uma série de indagações, nos conduz essa obra de Momplé. Neighbours é uma produção de uma escritora madura, que sabe explorar distintos recursos narrativos: ora nos recorda o romance-reportagem, ora as estratégias do naturalismo, ora as técnicas cinematográficas, ora as personagens dos contos de fada e até mesmo as estratégias da narrativa romântica. Estamos diante de um narrador comprometido com o que narra, distante de qualquer neutralidade em relação aos personagens que constrói.

 

Pela própria Lilia Momplé:

 

Neste livro, inspirado em factos reais, descrevo o que se passa em Maputo, em três casas diferentes, desde às 19 horas de um dia de maio de 1985 até às 8 horas da manhã seguinte. Preocupei-me não apenas em narrar os acontecimentos dessa longa noite, mas em relacioná-los com as pessoas que vamos encontrando nas três casas. São pessoas comuns que desconhecem tudo sobre as que vivem nas outras casas. Todavia, têm o seu destino fatalmente interligado, mais uma vez, por vontade e por ordem do apartheid que tão bem sabia aproveitar-se das humanas fraquezas, taras, paixões, anseios e inseguranças.

 

Entretanto, à medida que ia escrevendo o livro, fui-me apercebendo da dificuldade em encontrar-lhe um título que não o limitasse a um simples episódio. Um título que pudesse exprimir a sensação de constante asfixia e extrema vulnerabilidade perante forças tão poderosas e hostis e simultaneamente tão próximas que a sua sanha mortífera se podia abater sobre nós, da forma mais imprevisível e brutal.

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